O anjo

O anjo foi dono de um snooker bar um tempo atrás. Ele era um cara normal, exceto pela quantidade de histórias que o cercavam. Esta é apenas uma delas.

Havia um funcionário que trabalhava com ele no bar, abria à tarde e o anjo assumia à noite. Fechava quando achava que era a hora. Num dia, quando estava para encerrar as atividades, apareceu uma mulher, não exatamente bonita, mas, digamos assim, exuberante em termos de carne. Ela chorava.

O nosso herói foi prestar uma assistência à moça que parecia desconsolada.

– O que aconteceu, meu bem? Não fica assim não. Quer alguma coisa? Por conta da casa.

E foi se aproximando gentilmente.

– Ah, eu estou num momento tão complicado, parece que nada está dando certo…

E nem concluiu a frase, agarrou o braço do anjo que tinha se sentado na cadeira ao lado da mulher. Ambos sozinhos na mesa, no bar. E ela tascou-lhe um beijo.

– Opa! Espera só eu fechar a porta ali, meu bem.

E subiram, a casa do anjo era no andar de cima do bar. Papo vai, papo vem, se é que você me entende, até aquele momento de preocupação cotidiana:

– Olha, querida, eu não tô com camisinha aqui, mas você não tem nada não, né?

– Não, magina, acabei de separar, meu ex não para de me encher o saco…

– Então vem cá que eu vou te dar um apoio.

E depois de prestar sua assistência ele preparou um caprichado hambúrguer e ela se foi.

Alguns dias depois o funcionário fala com o anjo logo que ele chega ao trabalho.

– Apareceu um homem aqui te procurando, perguntou quem era o dono do bar.

– Como assim?

– Queria falar apenas com você, disse que volta hoje mais tarde.

E voltou.

– Você é o dono aqui?

– Pois não.

– Acho que minha mulher veio aqui uns dias atrás, morena, mais ou menos desse tamanho – e fez um gesto apontando uma altura imaginária no ar. O anjo sabia de quem o homem estava falando.

– Ixi, vem tanta gente aqui, mas que que tem?

– Ela veio tarde, a gente tinha brigado, acho que tava chorando.

– Rapaz, não sei do você tá falando. Às vezes não consigo reparar em todos os clientes.

– Você comeu ela?

O anjo quase engasga mas mantém a compostura, firme:

– Que isso! Tenho namorada, acho que isso aqui tudo é um grande mal entendido…

– Pois se comeu, você se fodeu. Se eu fosse você eu ia ver um médico, mas acho que não é grave não, comigo não aconteceu nada grave, pelo menos.

E o homem se foi, quase sorrindo.

O anjo foi ao médico, foram várias consultas na real, precisava fazer cauterização. No fim, depois de umas conversas com amigos que também tinham se metido em enrascadas, depois de pesquisar na internet, descobriu um remédio que era um creme. Precisava importar. Por sorte um conhecido conseguiu trazer na mala. O médico daqui conhecia o remédio e, embora reprovasse o “método alternativo de importação”, aprovou o uso da pomada.

O anjo usou, depois de alguns dias estava tudo bem, segundo me contou, algum tempo atrás.

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O 22 da “Marajó”

Natureza, Congo e proibido armas
À esquerda, Carla Natureza, treinel (tipo antes de contra mestre e mestre) do grupo Angoleiros do Sertão, de SJC. Foto duma viagem dela ao Congo pra ensinar capoeiragem. Ah, é proibido portar armas nas vans do Congo.

Por Monteiro Lobato (Taubaté, 1882 – São Paulo, 1948)

Crônica de Monteiro Lobato publicada na coletânea A Onda Verde (Monteiro Lobato Editora, São Paulo, 1921). Seguida por Vida das pessoas citadas e Notas avulsas, por Pol Briand.

*

Antes do texto em si, uma observação: tal como tivemos em 2009, houve uma reforma ortográfica nas épocas do Monteirão, aí ele pegou maior mal, falou que complicava horrores a vida dos escrevinhadores e tals. Acho que ele inventou uma “vingancinha” (veja lá embaixão ele falando sobre ‘vingancinhas’): inventou uma ortografia própria, com algumas coisas mUdernas, outras arcaicas, outras da cachola dele mesmo. Nada que impeça a compreensão da leitura. Já as notas no final, sei lá, mas me parece um português de Portugal das antigas, grafia deveras estranha, também não alterei nada. Fim da observação.

*

Esse delirio que por aí vai pelo futebol tem seus fundamentos na propria natureza humana. O espetaculo da luta sempre foi o maior encanto do homem; e o prazer da vitoria, pessoal ou do partido, foi, é e será a ambrosia dos deuses manipulada na terra. Admiramos hoje os grandes filosofos gregos, Platão, Socrates, Aristoteles, seus coevos, porém, admiravam muito mais aos atletas que venciam no estado. Milon de Crotona, campeão na de torcer pescoços a touros, só para nós tem menos importancia que seu mestre Pitagoras. Para os gregos, para a massa popular grega, seria iconcebível a ideia de que o filosofo pudesse no futuro ofuscar a gloria do lutador.

Em França o homem hoje mais popular é George Carpentier, mestre em socos de primeira classe; e se derem nas massas um balanço sincero, verão que ele sobrepuja em prestigio aos proprios chefes supremos vencedores da guerra.

Nos Estados Unidos ha sempre um campeão de boxe tão entranhado na idolatria do povo que está em suas mãos subverter o regime politico.

Entre nós ha o exemplo recente de Friedenreich, um pé de boa pontaria pelo qual nossos meninos são capazes de sacrificar a vida.

E os delirios coletivos provocados pelo combate de dois campeões em campo? Impossivel assistir-se a espetaculo mais revelador da alma humana que os jogos de futebol em que disputam a primazia paulistanos e italianos em S. Paulo.

Não é mais esporte, é guerra. Não se batem duas equipes, mas dois povos, duas nações, duas raças inimigas. Durante todo o tempo da luta, de quarenta a cincoenta mil pessoas deliram em transe, extaticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola. Conforme corre o jogo, ha pausas de silencio absoluto na multidão suspensa, ou deflagrações violentissimas de entusiasmo, que só a palavra delirio classifica. E gente pacifica, bondosa, incapaz de sentimentos exaltados, sai fóra de si, torna-se capaz de cometer os mais horrorosos desatinos.

A luta de vinte e duas feras no campo transforma em feras os cincoenta mil espectadores, possibilizando um enfraquecimento mutuo, num conflito horrendo, caso um incidente qualquer funda em corisco as eletricidades psiquicas acumuladas em cada individuo.

O jogo de futebol teve a honra de despertar o nosso povo do marasmo de nervos em que vivia. Antes dele, só nas classes medias a luta politica tinha o prestigio necessario para uma exaltaçãozinha periodica.

E isso porque de todos os esportes tentados no Brasil só o futebol conseguiu aclimar-se, como o café. Hoje, alastrado de norte a sul, transformou se quasi em praga, conseguindo, só ele, interessar vivamente, exaltadamente, delirantemente, o nosso povo.

No Estado de S.Paulo não ha recanto, viloca, fazenda, bairro, onde não sejam vistos num chão plaino e batido os dois retangulos opostos, assinaladores dum ground. Pelas regiões novas, de virgindade só agora atacada pelos invasores, é comum topar-se de subito, em plena mata, uma clareira aberta, limpa, onde nas horas de folga os derrubadores de pau vêm bater bola.

Já assistimos a um match em certa fazenda. Tudo muito bem arrumado os players uniformizados, de meias grossas e botinas ferradas, tal qual nos clubs das cidades. E falando em corners, goals, hands, halftimes, a inglesia inteira dos termos tecnicos.

Ao nosso lado o fazendeiro explicava:

– Aquele goal-keeper é carreiro; amanhã de madrugada está de pé no chão puxando lenha. O center-half é madeireiro; está-me lavrando umas perobas na roça velha. Os full-backs são tropeiros; e os forwards, simples puxadores de enxada.

Era assombroso! Estavamos diante da maior revolução de costumes jamais operada em terras de Santa Cruz. E tudo por arte e obra de uma simples esfera de couro estufada de ar…

Antes do futebol, só a capoeiragem conseguiu um cultozinho entre nós e isso mesmo só na ralé. Teve seus periodos aureos, produziu seus Friedenreichs, e afinal acabou perseguida pelo governo, com grande magua dos tradicionalistas que viam nela uma das nossas poucas coisas de legitima criação nacional.

Infelizmente não se guardou memoria escrita desse esporte, cujos anais se encheram de maravilhosas proezas. Não teve poetas, não teve cantores, não teve sabios que as salvaguardassem do olvido; e de todo o nosso rico passado de rasteiras, rabos d’arraia e soltas restam apenas anedotas eparsas, em via de se diluirem na memoria de velhos contemporaneos.

Que se fixe, pois, em letra de fôrma, ao menos o caso do 22 da Marajó com tanto chiste narrado pelo maior humorista brasileiro, esse prodigio Mark Twain inedito que é o sr. Filinto Lopes.

O 22 da Marajó era um imperial marinheiro, mestre em desordens, amigo de revirar de pernas para cima quiosques portugueses. Rapazinho bonito, imperava na Saude onde suas proezas de capoeira excepcional andavam de boca em boca, discutidas como façanhas de Rolando. E tais fez que o governo, incomodado, deportou-o para o Norte, a servir em canhoneira da flotilha estacionada no Pará. A mudança de clima regenerou-o e o rapaz, resolvendo tirar partido dos seus dotes plasticos, ferrou namoro com a mulher de um Shipchandler, da qual se tornou amante.

Pouco durou o trio.

O Shipchandler morreu e o 22 casou-se com a viuva, herdeira dum paco de quatrocentos contos de réis. Pediu baixa, obteve-a e foi com a esposa em viagem de nupcias á Europa, onde permaneceu dois anos. Ao cabo regressou á patria, elegendo o Rio de Janeiro para residencia definitiva.

Mas quanto mudara! Transformado num perfeito gentleman, embasbacava a rua do Ouvidor com o apuro dos trajes, as polainas, as luvas, a cartola café-com-leite.

– Algum fidalgo certamente, cochichavam. Não vêem que modos distintos?

E o 22, impavido, petroneando de monoculo no olho, a olhar de cima para os homens e as coisas…

Tinha habitos certos e todos os dias passava pelo Largo de S. Francisco, como paca pelo carreiro.

Aconteceu, porém, que ali era ponto de uma roda de rapazes chiques, fortemente despeitados ante a esmagadora elegancia do desconhecido, rival perigoso, sem duvida, em materia de esporte feminino. Os quais rapazes, depois de muito cochicho, deliberaram quebrar a prôa do novo concorrente, apenas aguardando para isso a bôa oportunidade.

Certa vez em que Petronio passava mais imponente do que nunca, coincidiu aproximar-se da roda chique um capoeira mordedor, que se gabava de ser mestre em soltas.

Quem sabe hoje o que é a solta, nesta epoca de kickes e shootes? Solta era uma cabeçada sem hands, isto é, sem encostar a mão no adversário.

Mas o capoeira chegou e mordeu-os em cinco mil réis.

– Perfeitamente, responderam os rapazes, mas primeiro has de sapecar uma solta naquele freguês que ali vai de monoculo.

– É já! exclamou o capoeira, gingando o corpo. E, tirando o chapeu, foi postar-se na calçada por onde vinha o 22, de cartola e monoculo, sacudindo passos de lord, muito esticado dentro do seu croisé cortado em Londres.

Um, dois, tres… Quando Petronio o defronta, o capoeira avança e despeja-lhe uma formidavel e primorosa cabeçada.

O Petronio, porém, quebra o corpo, e a cabeça do atacante vai de encontro á parede, ao mesmo tempo que um pé bem manejado planta-o no chão com elegantissima rasteira. O mordedor, tonto e confuso, ergue-se… mas desaba de novo, cerceado por outra gentil rasteira. Passara imprevistamente de agressor a agredido e, desnorteado, deu sebo ás canelas, indo apalpar o galo da cabeça a cem passos de distancia.

Enquanto isso o Petronio, serenamente consertando a gravata, com grande calma dirige a palavra á assombradissima roda elegante.

– Só uma besta destas dá soltas sem negaça. Já dizia o Cincinato Quebra- Louça: soltas sem negaça, só em lampeão de esquina. Se “grampeasse”, inda vá lá. O Trinca-Espinhas, o Estrepolia e o Zé da Gambôa admitem soltas neste caso, mas isto mesmo só quando o semovente não é firme de letra.

E girando entre os dedos a bengala de unicornio, concluiu com saudades:

– Já gostei deste divertimento. Hoje a minha posição social não mais permite. Mas vejo com tristeza que a arte está decaindo…

E lá se foi, impertubavel e superior, murmurando consigo:

– Soltas sem negaça… Forte besta!

Passando o momento de estupor e depois de muito debaterem o estranho incidente, os elegantes planejaram solene desforra. Contratariam o famoso Dente de Ouro, da Saude, para romper o baluarte e quebrar de vez a prôa ao estranho personagem.

Tudo bem assentado, no dia do ajuste vieram colocar-se no carreiro da vitima, com o rompe-e-rasga á frente.

– É aquele lá! disseram, assim que repontou ao longe a cartola café-com-leite do Petronio.

Dente de Ouro avançou para o desconhecido. Ao defronta-lo, porém, entreparou e abriu-se num grande riso palerma – o riso da boca aberta quem reconhece um antigo parceiro.

– O 22… Voce por aqui?…

– Cala o bico, moleque, e toma lá para o cigarro; mas afasta-se, que hoje sou gente e não ando em más companhias, respondeu o Petronio, correndo-lhe uma pelega de dez e seguindo o seu caminho impertubavelmente.

Dente de Ouro voltou para o grupo dos elegantes, alisando a nota.

– Então? Perguntaram estes, desnorteados com o imprevisto desfecho.

– ‘cês tão bestas ! Pois aquele é o 22 da Marajó, corpo fechado p’ra “sardinha” e pé que nunca “lalou saque”. Estrompar o 22, ‘cês tão bestas.

*

NOTAS

por Pol Briand

Vida das pessoas citadas

ordem alfabética

22 da Marajó“. Os marinheiros acostumavam-se a ser chamados pelos números de matricula na tripulação dos navios. Houve uma canonheira Marajó, participante da Revolta da Armada em 1893 e afundada em frente ao Desterro (Florianópolis). O termo Imperial Marinheiro remete o início da história mais de trinta anos antes do tempo da narração. Essas vagas lembranças de fatos meio esquecidos da história do Brasil criam uma impressão de verosemelhança, remetem para um passado que parece algo familiar, mas que é difícil ou impossível situar com precisão. Essa técnica caraterisa os gêneros da crônica e do conto, de que Monteiro Lobato fez a sua especialidade.

Aristoteles filósofo greco, 384 – 322 AC. A sua lógica foi o molde único do pensamento européio durante séculos.

Carpentier, Georges, lutador francês (Liévin 1894 – Paris 1975), treinado na savate, optou pelo box inglês, e ganhou o título de campeão de Europa de peso meio-médio, médio, meio-pesados e pesados. Campeão mundial dos meio-pesados em 1920, ano da publicação do “22 da Marajó”, será vencido por Dempsey em 1921.

Cincinato Quebra-Louça – apelido de capoeira não indentificado.

Dente de Ouro – apelido de capoeira não identificado.

Estrepolia – apelido de capoeira não identificado.

Friedenreich, Artur, Jogador brasileiro de futebol (São Paulo SP 1892 – id. 1969), integrante da primeira seleção brasileira em 1914.

Lobato, José Bento Monteiro – escritor, editor, industrial, político e diplomata brasileiro, nascido em Taubaté, estado de São Paulo, em 18 de abril de 1882, e falecido em São Paulo em 4 de julho de 1948. A morte dos seus pais em 1897 e 1898, fica no encargo do seu avô, o Visconde de Tremembé. Bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo, 1904. Promotor público em Areias, São Paulo, 1907. Escreve em jornais e revistas. Em 1911 a morte do avô herda a fazenda de Buquira e abandona o cargo. Enfentando dificuldades como fazendeiro, entretanto continua a escrever artigos, mais tarde incluidos nas coletâneas Uma velha praga e Urupês, em que aparece a personagem de Jeca Tatu, caboclo atrasado que chama de “piolho na terra”. Mas tarde mudará uns tantos a opinião. Em 1917, vende a fazenda e muda-se com a esposa e filhos para São Paulo. Compra a Revista do Brasil. Publica um inquérito sobre o saci-pererê. Funda a primeira editora Monteiro Lobato e Cia., e mais tarde a Cia Gráfico-Editora Monteiro Lobato, primeira gráfica de livros no Brasil. Em 1920 lança a coletânea A Onda Verde, cujo título simboliza a expansão da cultura do café para o interior do Brasil, e que contém a crónica “O 22 da Marajó”. A revolução de 1924 obriga-o a liquidar, em 1925, a editora, que transformará-se em Companhia Editora Nacional. 1927 – 1931 é adido comercial junto ao consulado brasileiro em Nova Iorque. De volta ao Brasil, engaja-se em campanhas pregando exploração do ferro e do petróleo brasileiros, enfrentando as opiniões oficiais, negando apoio à didadura de Vargas que o convidara para ser Ministro da Propaganda, preso alguns meses, representa uma figura perturbante na vida política. A partir de 1921, defende as suas idéias fundamentais na literatura infantil, ramo menos polémico para o qual a sua obra é reconhecida por todos.

Lopes, Filinto – Não consegui notícia biográfica deste senhor, apresentado como a fonte da anedota principal do texto. Segundo Décio de Almeida Prado (SP 1917 – id. 2000), Filinto Lopes era “um homem que não escrevia, mas gostava de conversar com imaginação e humor, sendo considerado o mais espirituoso entre todos os freqüentadores da roda literária do Estado” [o cotidiano O Estado de São Paulo, de que D. de Almeida Prado era diretor do Suplemento Literário após 1941] – O Estado de São Paulo, São Paulo, 27 fev. 2000. Esta apresentação confirma a de Monteiro Lobato, sem todavia acrescentar mais informação. Filinto Lopes aparece na lista dos contribuidores do Dialeto Caipira de Amedeu Amaral (1922).

Milon de Crotona – lutador grego do 6.o-5.o século AC, reputado invincível.

Petronio – Caius Petronius Arbiter , escritor e grande senhor, íntimo do imperador Nero, falecido em 65. Autor provável do Satiricon.

Pitagoras – filósofo grego, 6.o séc. AC.

Platão – filósofo grego, 428-348 AC.

Rolando – guerreiro franco, personagem importante do popular cíclo de cantos de Carlo Magno, cujo modelo histórico faleceu em 778.

Socrates – filósofo grego, Athenas, 470-399 AC.

Trinca-Espinhas – apelido do capoeira Manoel João de Freitas, que aparece na crónica policial na noite de 7 de março 1880 ao ficar ferido de punhalada no peito num conflito , na rua de S.Cristovão [Tito Augusto Pereira de Mattos, Relatório do Chefe da Polícia da Corte, 31 de Março de 1880, anexo ao Relatório do Ministro da Justiça 1879, p. A-G-10 – ver www.crl.edu]. Também citado em Coelho Neto “Nosso Jogo”, in Bazar, 1928.

Twain, Mark, pseudónimo de Samuel Langhorne Clemens, famoso conferencista, humorista, jornalista e romancista (Floride, Miss., USA 1855 – Redding, Conn., USA, 1910). Humoroso narrador e feliz observador da vida e da língua popular norte-americana.

Zé da Gambôa – apelido de capoeira não identificado. O bairro da Gambôa no Rio de Janeiro é vizinho ao da Saúde, em que “imperava” o 22.

 

Notas avulsas

Monteiro Lobato afirmou que sempre escreveu em reação à uma provocação, alguma coisa ou indivíduo que o aboreceria:

Sempre escrevi por exigência orgânica, quando qualquer coisa, em meu organismo, exigia e impunha a fixação do pensamento em palavras – para alívio interno. Nunca escrevi por sugestão externa. O livro mais interessante que poderia faze seria a história dos meus contos… Meus contos foram, todos êles, vingancinhas pessoais, desabafos. Eu sentia a necessidade de vingar-me de um sujeito qualquer e essa necessidade não cessava e eu não tinha alívio enquanto não desabafasse, pintando o freguês numa situação cômica ou trágica, que me fizesse rir. Nunca visava o público. Publicava minhas vinganças em qualquer jornaleco do interior e sempre com pseudônimos.

Apud. Cavalheiro, Edgard, “Vida e Obra de Monteiro Lobato”, in Urupês (O.C. de Monteiro Lobato 1a. série Literatura Geral, vol. 1) S.Paulo:Ed. Brasiliense, 1959, p. 28.

No caso, Monteiro Lobato, que tinha “horror à imitação” (Cavalheiro, op.cit., p. 34), reage à recente paixão brasileira pelo recém-importado futebol, a que vem contrapondo a tradicional capoeira. Entretanto, não temos sinal que Monteiro Lobato tenha compartilhado das opiniões dos “tradicionalistas que viam nela [capoeira] uma das nossas poucas coisas de legitima criação nacional”. Nacionalista, foi, mas modernizador, e as vezes violentemente oposto ao conservatismo popular (como se vê na sua personagem de Jeca Tatu).

Para Melo Morais Filho, o valor da crônica é a preservação na memória dos casos, das palavra de um saudoso passado. Monteiro Lobato, sem deixar de escolher para a narrativa uma seleção das palavras do jargão da capoeiragem, das que não precisam de explicação, mas esporam a imaginação, estrutura solidamente o conto ao redor da função social metafórica que atribue ao caso. A capoeiragem – talvez tida por representativa da cultura tradicional brasileira – não só “afinal acabou perseguida pelo governo”, mais foi abandonada, embora com saudades, pelo próprio 22 da Marajó, quando “a minha posição social não mais permite, é que hoje sou gente”, e que anda disfaçado de esnobe européio. A cultura nacional é associada à ralé, enquanto ou porque as classes abastadas rejozijam-se na imitação do jeito européu de lidar com as paixões sociais básicas, de que tratava no início. Isto, de certa maneira, vem contradizendo as opiniões representadas, no mesmo autor, pela personagem do caboclo Jeca Tatu, imagem de um povo doente e sem vontade. No contrário, resona com as idéias do filósofo alemã Herder, retomadas por Rugendas ao abordar o Brasil, segundo qual, as elites polidas sendo em todos lugares mais ou menos iguais, o povo representa a verdadeira identidade de uma nação. Monteiro Lobato deixa sabidamente a questão aberta para interpretações diversas e dúvidas. Quem quiser opinar sobre ele terá de considerar o menos o volume A Onda Verde, em que são denunciado vícios tradicionais do Brasil, na sua integra. De algum modo, embora situado em meio urbano, o caso participe do esforço de descrição da vida popular que Monteiro Lobato tinha inciciado nas pesquisa no campo, e que iam, naqueles mesmos anos, desembocar na colaboração com Amadeu Amaral e a proposta de criação de uma Sociedade demológica (de estudo do povo) em São Paulo.

Cabe nestas páginas consagradas à capoeira considerar alguns detalhes, colocados por Monteiro Lobato – ou par Filinto Lopes – para aumentar o efeito de real; portanto, que representam o que era admitido na época em que narravam o caso.

Longe de ser um vadio ou desempregado como é colocado na lei de 1890, ou nos jornais do final do século 19, o conto apresenta o capoeira como bem inserido na vida social, mesmo que seja “mestre em desordens”. Houve marginais engajados à força na Marinha, porém o apelido de “22” mostra que era ativo como capoeira enquanto marinhero. Entretanto, se era Imperial Marinheiro, o termo “removido” para o Norte muito melhor caberia à situação do que “deportado”. É que este último relembra vigorosamente as deportações para a região amazónica dos presos civis, feitas nas ocasiões do golpe de Floriano Peixoto em 1892, da Revolta da Vacina de 1904 e da Revolta da Chibata de 1910. O deportados de 1904 foram remetidos, em condições que evocam as dos navios negreiros, para o recém-criado Acre, isto é, na própria região estratégica que foi o motivo para a criação da frotilha do Pará. Deportados também para o Norte, na ilha de Fernando de Noronha, os presos da campanha de repressão à capoeira de Sampaio Ferraz em 1890.

Rasteira, cabeçada solta, negaça, rabo de arraia: o léxico básico da capoeiragem está presente. Talvez “gingando o corpo” mereça uma menção especial. Na época o verbo gingar era empregado, na gíria do Rio de Janeiro, como alternativa a peneirar, e não tinha assumido o papel de termo técnico do jogo de capoeira. O verbo gingar remete a um gesto comum para um marinheiro, o de empurar um barco balançando um remo colocado em popa.

*

Fonte (site lindo, lindo, diga-se, descoberta incrível de hoje à tarde): http://www.capoeira-palmares.fr/histor/22marajo.htm

*

Onde está o W... Bruno?
Não sou maçom, sou capoeira, ahah.

Diálogo muito instrutivo

– Monteiro*, boa tarde, como está indo? Uma pergunta para vossa sabedoria: e o que seria um pinto feminino?
– Um pinto levemente mais fino, mas de bom comprimento. Totalmente sem pelos e sem veias. Especialmente mais fino na parte que antecede a cabeça. Porém de cabeça larga e proeminente. Rosado. Com o odor com notas de bacalhau salgado.
– Impressionante. E de onde que você entende tanto de pinto assim? E a minha companheira tá perguntando como seria uma buceta masculina.
– Algum valor tem que existir em ser um pato intelectual. No caso o que ela tá perguntando tem um nome específico: BOCETO.

– Esse trecho do filme The Wall explica o boceto melhor do que qualquer palavra.

* Este asteristico (grafia corretíssima) refere-se a que o nome foi alterado para preservar a identidade do dialogante.

Teoria furada

Cara, eu tenho uma teoria furada (quer dizer, tenho várias delas, mas agora vou te contar apenas uma, ahaha): Creio eu, cá com meus botões, que todas as mulheres são bruxas e todos os homens são vândalos, bárbaros, destruidores, conquistadores, exploradores, estupradores e tals.
Ou quase isso, pois talvez tenha um furo na minha ‘generalização preconceituosa’ a respeito da masculinidade: pois também creio que possa haver homens que são espantalhos.

2017-09-20-labrujayelespantagabrielpacheco

Sobre não enfiar seu nariz onde não é chamado…

… e tentar não sair com ele quebrado.

Mas, desta vez, acho que, infelizmente, quebrou.

O principal problema de todo e qualquer fundamentalismo é que ele não se reconhece como tal. E acontece que algumas pessoas QUASE reconhecem um fundamentalismo como tal. Ou algumas pessoas até conseguem reconhecer um fundamentalismo como tal, mas com uma parte meio discreta de seus corações e mentes. E são essas as pessoas que mais sofrem quando são chamadas de fundamentalistas, pois, nalgum lugar, nalgum momento, elas sabem que isso é verdade. Aí dói fundo.

E quem sou eu de ficar chamando (xingando?) os outros de fundamentalista? Sou eu um fundamentalista de algum assunto? Um fundamentalista da dúvida? Do caos? Do zen às avessas? Do de boísmo?

Acontece que meu nariz quebrou. Enfiei onde ninguém me chamou, devo ter pisado num calo dolorido. E quero pedir desculpas. E mais: não quero mais fazer isso. E quero pedir desculpas. Pois magoar alguém, me magoa também. Sou solidário, sou amigo.

E nalgum momento aprendi que a gente deve pedir desculpas toda vez que o outro se sente magoado, tendo ou não tendo razão, pois o que importa é a relação, é o carinho, é a fraternidade, é a pessoa, não é o assunto. E eu queria pedir desculpas. É o dá pra fazer por agora. É mostrar que me importo com você, que te acho uma pessoa muito legal, que sinto que te magoei, que não quero me afastar de você, pois eu sentiria muito a sua falta.

Penso que há duas formas de aprendizado: pela dor e pelo amor. Pelo amor é mais difícil e pela dor a vida nos dá inúmeras e inúmeras lições, mas muitas vezes não estamos dispostos a aprender, pois dói, né? Agora dói em mim e eu espero ter aprendido alguma coisa.

Desculpe-me.

Um beijo,

São José dos Campos, 08/05/16

Nas nuvens, mas c/ os pés no chão

Daí que uma querida amiga (minha primastral) me perguntou “Aliás, vc recomenda alguma nuvem?”.

Bem, eu gostaria de responder sobre cúmulo-nimbo ou cirro-cúmulo, essas coisas, mas creio que ela perguntou sobre Dropbox ou ownCloud ou Mega(upload). Entonces, pra variar, vou dar uma resposta comprida.

Assim, pra começo de conversa, isto que vou descrever a seguir é tipo uma ética pra mim, uma postura que eu busco adotar e que serve pra várias coisas, muitas delas além desses paranauês de tecnologia.

Mesmo para os serviços e produtos famosões, minha primeira fonte é a Wikipedia, por exemplo: https://en.wikipedia.org/wiki/Dropbox_(service) . Algumas vezes (várias vezes) o artigo em en_US (inglês dos ZEUA) é mais completo do que o artigo em pt_BR (português do Brasiu-iu-iu!), mas as questões mais importantes normalmente estão logo nos primeiros parágrafos e/ou na tabela do lado direito. Entonces, o que podemos aprender sobre o Dropbox?

(Essas são algumas coisas que EU busco saber, que ME chamam a atenção, não estou definindo, ou reduzindo, alguma coisa por uns dois, três parâmetros que eu considero importantes. Isso sou eu, e você, caro leitor/a/x, por favor, seja você.)

1) “headquartered in San Francisco, California“, obviamente, como fomos aprovados em geografia no colégio, nós conseguimos compreender que o Dropbox é um baguio dos ZEUA. Perde dois pontos, na minha ‘escala muito particular de simpatia’, pois os adolescentes valentões de colégio que fazem bulling mundo à fora (leia-se, os Estados Unidos), basicamente o pior lugar de onde poderia vir alguma coisa, na minha opinião. Ao lado de Isreal.

Daí toda Zoropa (Europa, mas acho que você entendeu) perde um ponto, sendo que Inglaterra (Escócia, Gales e Irlanda não são Inglaterra, são vítimas), França e Alemanha perdem, sei lá, 1,5 pontos. Bando de colonizador explorador maldito (até hoje, viu, amiguinho, não se iluda). Ah, Japão e Coreia do Sul também -1 pra eles. Ps. Rússia eu não incluo na Zoropa, eles sequer usam o mesmo alfabeto que o ocidente (!!).

O resto do mundo, incluindo China, Índia e Rússia (que são importantes pólos desenvolvimentistas de tecnologias), merecem 0 pontos, não ganham nem perdem minha simpatia (mas é mentira, eu super apoio esses povos; qualquer povo que seja meio fudido e/ou que proponha alguma outra coisa que não seja essa merda de dominação do Ocidente-ZEUA-Zoropa). Para fins práticos eu até busco serviços desenvolvidos/providos pelos BRICS (mas tadinha da África do Sul, eles não produzem quase nada lá, tecnologia então só daqui um século), pois tem de tudo, tal como meu e-meio que é dos indianos do Zoho ( https://mail.zoho.com/ ), inclusive é integrado com visualizador de pdf e o excelente Zoho Docs, que tem editor de texto, planilha, apresentação, além de hospedagem de arquivos nas nuvens. Chupa góglis!

Finalmente, Brasil ganha um ponto, pois eu sou brasileiro, tenho orgulhoso desta birosca aqui (mas não sou cego, sei que tem problemas aqui; mas não sou cego, sei que tem coisas lindas aqui) e tenho de ajudar a promover e a movimentar este canto de mundo. Talvez Mercosul também deveria ganhar um ponto, mas vamos deixá-los com tipo 0,8 ponto na minha escala muito particular de simpatia.

(Ah, pausa)

Foda-se a qualidade dos produtos e serviços. Se você não entendeu, assim: FODA-SE!! Capitalismo é isso, é todo mundo igual e todo mundo copia/rouba todo mundo e todo mundo fica mentindo descaradamente falando que o seu produto é ‘diferenciado’ do vizinho. Vai te catar, vai contar contos da carochinha ali na esquina.

Inclusive em microeconomia, por exemplo na porcaria do livro dos senhores norte-americanos Pindyck e Rubinfeld, há um termo específico para isso: bens substitutos perfeitos. Você tem que ser muito burro ou ingênuo e/ou boqueteiro da Maçã (Apple) pra dizer idiotices como iFone é melhor que Andróide. Mano, não é: é a mesma bosta, foda-se as minúsculas e insignificantes diferenças, ambos ligam, acessam a internet, o zap zap e coisa e tal.

(Fim da pausa)

2) A segunda coisa que procuro saber é se aparecem os seguintes termos: GPL (inclusive, vejE isto aqui), código aberto (‘open source’, em en_US), software livre (‘free software’) ou linux. Pois essa parada é a coisa mais humana, mais civilizada, mais avançada, mais comunista, mais DAORA que existe no mundo hoje. Com tudo de bom e de mau que isso posso representar.

Linux é uma ameaça ao capitalismo, sim! Pois tem plena capacidade de superar inteiramente o capitalismo. Do tipo que hoje a gente acha um escândalo uma relação de trabalho escravocrata, num futuro (breve ou longínquo, tanto faz e ninguém sabe quando) a gente vai achar a (super)exploração e mais valia capitalistas uma aberração. Carlão Marx disse uma coisa que pode parecer bizarra, mas que faz todo sentido se você parar pra observar direito: uma nova relação econômica, um novo modo de produção (que ele chamou de socialismo, que depois engendraria o comunismo) é uma coisa inevitável não porque é “bonzinho”, “justo”, ou “do bem” ou “bonito”, mas sim porque é mais eficiente que o capitalismo. É batata: o capitalismo vai acabar, vai ser substituído por outra coisa, só não tenho tanta convicção se é o comunismo que triunfará. (Inclusive esta bosta que a gente chama de humanidade pode tipo se explodir com uma bomba H e regredir pra umas idades da caverna e Mad Max e tal. Tudo muito normal.)

Portanto, se aparece umas dessas palavrinhas, isto é, se é um produto/serviço que compartilha dessas paradas que escrevi, ganha 800 pontos na minha escala muito particular de simpatia. Coisos de código fechado, proprietários, tal como os ZEUA e cia, perdem 2 pontos.

Daí, o Dropbox, tal como o Andróide, o sistema do góglis pra celulares, os filhos da puta dos capitalistas marotos conseguem burlar/corromper coisas fabulosas e ‘botar cercas’ (reais ou virtuais) e tentar tornar tudo propriedade privada deles, pra te cobrar mais caro, viu? Tal como é possível ler aqui: “License Combined GPLv2 andproprietary software[5](Linux Nautilus)”. Isto significa o seguinte: estão tentando me fazer de trouxa. Menos três pontos.

Se você é capitalista, da ‘velha escola’, pelo menos faça igual a Microsoft (e sua bosta de produto chamado Windows) e declare-se software fechado de uma vez. Não tente me enganar, não tente se enganar, fica feio.

3) Finalmente, só mais uma coisa, que é muito falada e muito pouco praticada no capitalismo: concorrência, livre mercado, essas histórias. Em muitos artigos da Wikipedia há no final listas de coisos/correlatos, como aqui:

Daí, se você tá usando/já usou um serviço dos ZEUA, use um das Zoropas ou China ou Rússia ou Conchinchina. Se você quer pagar de capitalista, sejE capitalista mesmo: se o teu telefone atual é da Maçã, que o seu próximo sejE Andróide ou Ruindows Fone (ou aqueles Nokias, que era Symbian, e eram ótimos). Troque, tipo como como você trocaria de roupa. E vou te contar uma coisa pra você: é divertido, você vai conhecer coisas novas, vai “expandir seus horizontes” (olha que frase bonita!), você vai conseguir comparar melhor, aprender vantagens de umas (e desvantagens de outras coisas, como a bosta do bluetooth que não funciona por deus ou pelo diabo na Maçã).

E então, com que roupa eu vou para o samba que você me convidou?

*

Daí, depois de complicar tudo, só agora que vou tentar facilitar a vida da moça perguntadeira (afinal, quem faz uma pergunta tem de ter a responsabilidade de ouvir uma resposta, não é mesmo?):

  • Dropbox: não recomendo
  • góglis drive e Maçã icloud (sei lá o nome), Microsoft onedrive: DE FORMA ALGUMA! Exceto se você tiver afim de vender sua alma pra CIA, NSA, Mossad e essas merdas (que te espionam mesmo!); vender a alma ao diabo deve ser mais negócio do que negociar com esses calhordas.
  • Zoho Docs, https://www.zoho.com/docs/ : oka, mas acho que é software proprietário. Tem 5 GB, acho, mas nunca usei pra coisar arquivos grandes, como botar um filme e/ou muitas músicas.
  • MEO Cloud, https://meocloud.pt/ : oka também, é da Portugal Telecom, operadora de cel lá da terrinha (e dona de 25% da Oi no Brasil; era dona de 50% da Vivo, mas os espanhóis cretinos da Telefónica deram um golpe e chutaram a PT, sério, oferta hostil em mercado financeiro e tal, foi bem feio). Tem 15 GB, acho.
  • ownCloud, https://owncloud.org/ e https://en.wikipedia.org/wiki/OwnCloud : parece que é bem bom, mas nunca usei.
  • MEGA, https://mega.nz/ e https://en.wikipedia.org/wiki/Mega_(service) : o antigo Megaupload (que o FBI fechou arbitrariamente e deu maior fama para o rapaz desenvolvedor que, inclusive, melhorou pacas o serviço: parabéns FBI, obrigado FBI), tem umas paradas de criptografia é grande e bom. Acontece, por ser mais seguro, demora um pouco mais.

Se for pra iniciar a usar um coisa agora, se nunca tivesse usado, eu recomendaria o ownCloud ou MEO Cloud ou MEGA. Se for pra ir mais adiante, pensar em trocar de provedor de e-meio e não usar mais as bostas de góglis docs: Zoho.

Três pontos sobre Furtado (e uma consequência pós-FHC)

Indicação do prof. de economia Edson Trajano, da Unitau. Muito obrigado pela indicação, prof. Trajano.

Como eu não saí hoje, num sábado à noite, e porque como sou meio cabeção, fiquei vendo essa entrevista do Celso Furtado. Muito melhor do que muito filme (possibilidade cogitada por mim pra me entreter neste sábado à noite).

Meus dois três, quase quatro, centavos:

1) Como o Furtado é sólido e límpido! O cara transmite uma confiança fantástica, sabe do que está falando. Poderia ser apenas um elogio da retórica, mas conheço a obra dele (embora ainda pouquinho, é verdade, mas antes morrer conhecerei muito mais), sei que ele foi um pica das galáxias. Se a academia sueca não estivesse tão apaixonada por neoliberais entre os anos 1970 e 1980, certamente ele seria um candidato forte a prêmio nobel.

2) Como os pObRemas do Brasil em 1983 eram ABSURDAMENTE mais graves do que temos hoje, mesmo com essa tripla crise (fiscal/orçamentária, econômica e política) e tudo mais.

3) Digamos, o Furtado “errou”: disse, mais de uma vez, que não seria possível resolver o problema da inflação no Brasil (200% naquele ano) pela redução da demanda, que isso seria uma burrice danada etc. e tal. Foi EXATAMENTE isto que foi o plano real: quebrou-se a economia do país, arreganhou-se as pernas para importações (que chegaram baratíssimas, logo, pressionaram para baixo a pulsão inflacionária do comércio), precarizou-se direitos e salários e a porra toda, logo, obviamente, não há inflação alguma (também não há economia alguma, mas isso é um mero detalhe desimportante).

Parabéns ao Fefê Gagá (FHC), que ouviu muito bem o que Furtado disse e, dez anos depois, adotou justamente a solução mais porca possível para encarar a inflação. E sabe o que FHC e a tucanalha ganharam com a merda na qual enfiaram o Brasil? A eleição do Lula.