Palavras para um amigo silencioso

Para Israel Bumajny

Tudo o que temos são palavras, mas às vezes os silêncios revelam muito mais. Em Um cativo apaixonado, Jean Genet escreveu:

Se a realidade do tempo passado entre palestinos – e não com eles – reside em algum lugar, há de sobreviver nos espaços entre as palavras que alegam relatar a realidade. Alegam relatá-la, mas na verdade ela se enterra, encaixa-se nos espaços vazios, e fica registrada mais neles [do] que nas palavras que só servem para obliterá-la. Outra maneira de dizer: cada espaço entre as palavras contém mais realidade que o tempo necessário para lê-las [ou dizê-las, ou cantá-las, ou até mesmo filmá-las… (comentário meu)].

Mas como chegar ao espaço entre as palavras, quando nossa única maneira de fazê-lo é por meio de palavras? Não sei ao certo, mas posso sugerir que é em grande parte uma questão de escutar, observar e descrever – como uma compreensão do contexto histórico e sem falsos consolos. Também requer resistência aos clichês e estereótipos muitas vezes desqualificados como “orientalistas”, mas também à tentação missionária de confundir nossas esperanças com a realidade.

(Fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-96/anais-do-jornalismo/reporteres-ou-missionarios?utm_source=revistapiaui&utm_campaign=share&utm_medium=twitter&utm_content=http%3A%2F%2Frevistapiaui.estadao.com.br%2Fedicao-96%2Fanais-do-jornalismo%2Freporteres-ou-missionarios ; e depois falam que a Piauí é de esquerda… genti, vamo combiná assim: NÃO é esquerda, é DIREITA, só que é a direita inteligente, não a burra, Serra-Enéas-FHC-Bolsonaro way of life.)

E bla bla bla… o que eu pego mal com esse cara, o jornaleiro Adam Shatz, embora tenho de reconhecer força nele, é que ele se mete onde não deve: ele sequer se diz norte-americano, se diz “antes nova-iorquino”, tá querendo saber do Oriente Médio por que? Pra quê? Só falta se dizer ‘judeu-sem-lar-tadinho-aha-uhu-a-Palestina-é-nossa!’. Vá arrumar o que fazer, bixo! E pó parar com esse cinismo sem fim, mesmo se você for cínico ao extremo, não tente convencer os outros de que “só o cinismo salva”.

Grifo meu: “mas barroco como eu”.

*

Rogerio Skylab:

Entre duas palavras, existe um vão através do qual você passa. É justamente esse o espaço vazio, entre duas palavras, que pode se expandir até o infinito e virar abismo. Já que não sei o seu nome, vou te chamar de “abismo”. Você passa nesse interstício. Eu retorno ao texto porque sou fiel a ele. Mas é um retorno pela metade: andando pra frente e olhando pra trás.

(Fonte: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=876041662427909&id=558754834156595 , página do Livro das Faces do próprio Skylab, mas citado pelo Lacan Caminhoneiro.)

Lindo.

*

Finalmente, creio, sobre mim: http://www.4shared.com/file/loR2mfFece/2014-12-17-Um_filme_onde_nao_s.html . Israel, você é citado, claro. Acho que quero te arrumar trabalho de presente de aniversário, amigo da onça, EU!?!?!

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2 comentários sobre “Palavras para um amigo silencioso

  1. Valeu, Brunão. Achei ótimas as músicas/letras e a relação com o texto. Não consegui baixar o último arquivo, na hora de baixar o programa deu um aviso de cavalo de tróia. Me manda por e-mail depois. Abraços.

  2. É q vc deve ter clicado no coiso errado (isto é, os designers malditos colocam os bUtões nos lugares errados EXATAMENTE p/ acontecer isso): tem de clicar no botão cinza ‘Baixar’ (um pouco mais em cima), não no verde ‘BAIXAR DESKTOP’ (este realmente direciona p/ um download nada a ver).

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