Nova York matou Scott-Heron

Pois é, amiguinhos,

Depois que ninguém se deu o trabalho de prestigiar a tão aguardada “Cerveja dos joseloides em SP” (pelo menos eu aguardava ansiosamente), perdão pela extrema demora pra descer o sarrafo em vocês (pois é um dos meus esportes prediletos esporrar geral, vocês sabem).

Duas moças trabalharam até mais tarde (leia-se, tipo meia-noite), uma outra morreu de cansada, um dos sujeitos sumiu, as duas bichas escafederam-se de última hora e um dos rapazes só se manifestou muito tempo depois. Ah, gente, sabe o que eu digo numa hora dessas? Eu não digo nada, o Gil Scott-Heron diz por mim (e ôvam o link lá embaixo, em algum lugar):

"Ih, nojento!"

New York is Killing Me
(Gil Scott-Heron)
http://listen.grooveshark.com/#/s/New+York+Is+Killing+Me/2Cj4a9 (clica aí pra ouvir)

Yeah the doctors don’t know, but New York was killing me,
Bunch of doctors coming round, they don’t know
That New York is killing me
Yeah I need to go home and take it slow in Jackson, Tennessee

Let me tell ya fast city ain’t living all
It’s cracked up to be
Fast city ain’t living all
It’s cracked up to be
Yes seem I need to go home
And slow down in Jackson, Tennessee

New York is fast, how do I compare
It’s 24 frames in every second of a movie
Can’t see frame change but it’s always moving
Characters, tourists, travellers and Arabs cook Halal food
It’s foul moods on the average
Hood battlers, half-cyphers, tight spitting, spazzing
Noticing black asses on white women
Village Voices I heard around Strivers’ Row
Next to where Calloway once sang, ‘Heide Ho’
Welcome to the side-show where many eyes are low
Posted up Daily News travel round by the low

And the gangs in New York are like wolves in sheep clothing
Navy men off the ships in sidewalks strolling
Ladies watching shopping stressing hard
With maxed out credit cards and her depressing job
Grey skies, winter’s cold
US Open Tennis, charity dinners for the rich and old
Giving nothing to the poor to strengthen their soul
I can see why some get up and go, and move where it’s slow

Lord have mercy, mercy on me
Yeah Lord have mercy, have mercy on me
Till him to bury my body back home in Jackson, Tennessee
Yeah Lord have mercy, have mercy on me

Yeah I need to be back home, need to be back home,
Need to be back home, need to be back home yeaaah
Born in Chicago but I go home Tennessee
Yeah I Born in Chicago but I…

*

Seria mais ou menos assim (será que dessa vez eu me entendo com a poesia?):

Nova York está me matando
(Gil Scott-Heron)

É, os médicos não sabem, mas Nova York está me matando,
Um monte de médicos chegam, eles não sabem
Que Nova York está me matando
É, eu preciso ir pra casa e pegar leve em Jackson, Tennessee

Deixa eu te contar, a cidade rápida não está viva
Está arregaçada, como deveria ser
A cidade rápida não está viva
Está arregaçada, como deveria ser
Sim, parece que eu preciso ir pra casa
E diminuir o ritmo em Jackson, Tennessee

Nova York é rápida, como eu posso dizer?
São 24 quadros a cada segundo do filme
Não posso ver a mudança dos quadros, mas está sempre rodando
Personagens, turistas, viajantes e árabes cozinham comida sagrada
Na média, as pessoas agem como idiotas
Guerreiros encapuzados, meio cifrados, bufando, nervos à flor da pele
Dá pra reparar em bundas negras em cima de mulheres brancas
Eu ouço vozes da vizinhança na fila da esperança
Próximo de onde Calloway cantou “Heide Ho” [Cab Calloway, cantor e líder de big bands dos EUA, negro como Scott-Heron]
Bem-vindos ao show secundário em que muitos olhos estão baixos
Estampado no jornal, em turnê para os humildes

E as gangues de Nova York são como lobos em pele de cordeiro
Homens da marinha fora dos navios passeando nas calçadas
Mulheres vendo lojas e se sentindo mal
Com cartões de crédito estourados, em trabalhos deprimentes
Céu cinza, frio do inverno
Torneio de tênis, jantares de caridade para os ricos e os velhos
Sem dar nada para os pobre fortalecerem suas almas
Eu posso entender porque alguns se levantam e vão embora, e se mudam para um lugar calmo

Senhor tenha piedade, piedade de mim
Sim, Senhor tenha piedade, piedade de mim
Até que meu corpo seja enterrado lá em casa, em Jackson, Tennessee
Sim, Senhor tenha piedade, piedade de mim

Sim, eu preciso voltar pra casa, preciso voltar pra casa
Preciso voltar pra casa, preciso voltar pra casa
Nasci em São José dos Campos, mas eu vou pra casa no Tennessee
Sim, eu nasci em São José dos Campos, meu eu… [oka., o Scott-Heron nasceu em Chicago…]

*

Pelo que eu pude deduzir, isto é um poema do velhinho maldito Scott-Heron: ele é uma piada, até nasceu em 1º de abril, de 1949 (ele tem a mesma idade do meu pai). Sobrevivente de muita, mas muita mesmo, heroína, cocaína, mescalina, maconha, uísque, cerveja, HIV e tudo mais o que você puder imaginar. E ele musicou só uma parte desse poema. De todo modo, é lindo. Nada como uma velhice atormentada (em outra música/poema ele diz “Eu não me tornei alguém diferente/ [Daquilo que] eu não queria ser”), mas plenamente corajosa, dessas coragens de olhar para as merdas que a gente fez no passado e dizer: “Que merda! É, eu fiz isso…”.

Como não poderia deixar de ser (pois eu sofro do mal de obviedade), gostaria de salientar dois pontos: 1) Ainda há os xóvens (jovens), em que não deu tempo de fazer muita merda pra se sentir incomodado/arrependido/culpado; 2) São Paulo está vos matando (!!!). Carai, isso não é evidente?! Pô, uma cervejinha fraterna com os amiguinhos da terra do Jeca Tatu transforma-se num tarefa inalcançável?!

Como dizem os yankees, to whom it may concern [a quem isso possa interessar], saiam desse lugar enquanto há tempo (tipo casamento é uma merda nesse aspecto, mas ainda há muitos solteiros). Essa terra é a terra dos bancos, do mercado financeiro (que trata da mesma $ e pessoas). E você já viu banco dar alguma coisa? Banco só tira!

Pra finalizar este breve ensaio raivoso e visceral (no sentido de que eu não estou falando com meu céLebro, e sim com as minhas entranhas; e a verdade está mais próxima das vísceras do que da razão), aqui tem mais Scott-Heron: http://rapidshare.com/files/380569428/Gil_Scott_Heron_-_I_m_New_Here__2010_.rar (o deslumbrante disco deste ano).

*

E viva a moça que ficou e namora um rapaz do interiorrrr! E viva o rapaz que continua trabalhando na capital, mas que veio morar na terra do Jeca Tatu! E também tem um outro rapaz que voltou e até saiu no jornal!

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