Suicídios pela culatra

Control
Inglaterra, 2007. De Anton Corbijn, com Samantha Morton, Sam Riley, Alexandra Maria Lara

Last Days – Últimos dias
EUA, 2005. De Gus Van Sant, com Michael Pitt, Lukas Haas, Asia Argento.

Andei vendo uns filmes sobre rock and roll, Last Days e Control. A ideia não era ver filmes sobre suicidas, mas a coincidência não para aí: ambos deixaram filhas de dois anos.

O primeiro achei chato. O Van Sant é um cineasta que prima pelo ambientes. Garotos de programa e o primoroso Drugstore Cowboy têm como ponto forte o clima, a sensação, mais do que o enredo. Mas desde Elefante parece que ele está cada vez mais abandonando a história e se concentrando somente na comoção que o filme deveria causar (com exceção de Milk). Eu achei Last Days pura chatice que deveria nos sensibilizar, mas no final nos entedia.

Já o Control foi uma pequena grata surpresa. Eu tinha o filme há tempos, mas estava com preguiça de ver por receio de ser uma chatice, mas é bem feito. Tem uma fotografia bonita – talvez seja mais fácil fotografar em p&b –, particularmente a cena que toca “Love Will Tear Us Apart”, e que ele fala para a esposa que não a ama mais, é de uma beleza plástica (eles capricharam na cena, dá pra perceber). Mais bonita que a fotografia é só a moça que interpreta a amante, uma romena, olhos negros profundos…

Embora não seja um filme divertido sobre rock and roll, como A festa nunca termina (24 Hour Party People), nem é uma obra claustrofóbica sobre suicídio, o filme tem o grande mérito não endeusar o Ian Curtis. Dá a entender que a banda funcionava mais ou menos autônoma à ele (o que veio a se comprovar com o New Order), e que os caras estavam irritados com o jeito depressivo “eu não vou aguentar e vou pirar a qualquer momento” dele.

Não sei se por opção ou incompetência, tanto Control quanto Last Days não passam uma sensação angustiante, como se fosse pra todo mundo se matar no final da película, tal qual Goethe fez com o seu Werther no séc. XIX. O suicídio é como algo visto de fora (e no Last Days é um alívio, porque é o final do filme), o espectador não se envolve tanto.

***

Na real, esta resenha é só para adornar na foto, mais uma das moças com quem eu me casaria.

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